Fonte: AP
Estudo sugere base biológica para a homossexualidade
WASHINGTON - Ter muitos irmãos mais velhos do sexo masculino aumenta a chance de um homem ser homossexual, uma descoberta que, segundo cientistas, aumenta o peso da idéia de que há uma base biológica para a orientação sexual. "É possivelmente um efeito pré-natal", diz Anthony F. Bogaert, da Universidade Brock, no Canadá. "Este e outros estudos sugerem que há uma base biológica para" homossexualidade.
S. Marc Breedlove, da Universidade Estadual de Michigan, acredita que a nova descoberta confirma de forma total a base física do comportamento sexual. "A primeira opinião de qualquer um seria de que os irmãos mais velhos exercem algum tipo de efeito social, mas os dados não apóiam isso", disse ele, em entrevista por telefone. O único elo entre os irmãos estudados é a mãe, portanto o efeito tem de passar pelo organismo materno, já que irmãos de criação não mostraram o efeito, disse Breedlove, que não tomou parte no estudo.
Bogaert estudou quatro grupos de homens canadenses, num total de 944 pessoas, analisando o total de irmãos e irmãs de cada um, se os irmãos viviam juntos e se eram irmãos consangüíneos ou adotados. Em artigo que será publicado nesta terça-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, Bogaert mostra que ter um grande número de irmãos biológicos mais velhos aumenta a chance de um homem ser gay.
Trata-se de um efeito que pode ser detectado com um só irmão mais velho, e que se acentua em famílias de três ou mais, disse Bogaert. Segundo ele, os dados têm de ser analisados no contexto da taxa geral de homossexualidade em homens, que seria de cerca de 3%. Com vários irmãos mais velhos, a taxa sobe para 5%, o que significa que 95% dos homens com muitos irmãos ainda serão heterossexuais.
O efeito da ordem de nascimento na homossexualidade masculina já havia sido notado antes, mas o trabalho de Bogaert foi o primeiro projetado para excluir possíveis explicações sociais ou ambientais. O pesquisador disse que foi possível concluir que o efeito é biológico ao comparar os dados de homens com irmãos consangüíneos e com irmãos de criação.
O aumento na chance de ser gay aparece apenas nos homens cujos irmãos são filhos da mesma mãe, e não importa se foram criados juntos ou não. Homens criados na companhia de vários meios-irmãos ou irmãos adotados não mostraram o aumento da probabilidade de serem gays.
O que parece fazer a diferença é o fato de ter nascido do mesmo útero que já colocou outros homens no mundo. Uma possibilidade, sugere Bogaert, seria uma reação imunológica da mulher à sucessão de fetos do sexo masculino

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